Desculpe, seu browser não suporta Javascript.
Desculpe, seu browser não suporta Javascript.
Menu-le
Atalhos - Cefle

Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem,
necessariamente, a opinião de todos os membros do CEFLE

Tamanho das letras: Menor Normal Maior


Ecos & Urbanus - 14/12/2003
EDUCAÇÃO AMBIENTAL... PARA QUÊ?

O artigo anterior foi sobre a questão da dualidade ser x estar consciente acerca das questões ambientais. Fizemos uma reflexão envolvendo o papel que cada um de nós pode desempenhar no meio ambiente, em suas múltiplas formas. Nossa reflexão, hoje, será direcionada a uma área bastante difundida na mídia e nas conversas sobre ecologia e meio ambiente: a educação ambiental.

Falar de educação ambiental, entender seus pressupostos e inseri-la em contexto real, entretanto, requerem uma viagem no tempo. Vamos partir da data inicial de 1500 e dar uns pulos históricos na "linha do tempo", abordando acontecimentos no Brasil e no mundo, até a década de 70 do século XX:

1500 prenuncia-se a devastação através da exploração predatória, que segue seu curso até os dias de hoje
1503 comercialização do pau-brasil (Caesalpinia echinata) por Fernando de Noronha. Início do desmatamento intensivo na Mata Atlântica (dos 200 mil quilômetros originais, restam apenas 10 mil [5%])
1542 surge a primeira "Carta Régia" do Brasil, com normas disciplinares para o corte de madeira
1850 D. Pedro II edita a Lei 601, que proibia a exploração florestal, porém tal lei foi ignorada
1854 envio da famosa "Carta do chefe indígena Seattle" ao governo americano
1872 é criado, na Califórnia (EUA), o primeiro parque do mundo, o Parque Nacional Yellowstone
1875 encerra-se o ciclo econômico do pau-brasil com o abandono das matas totalmente exauridas
1876 André Rebouças sugere a criação de parques nacionais na Ilha de Bananal e em Sete Quedas
1889 Patrik Geddes, escocês, é considerado um dos fundadores do conceito de Educação Ambiental
1896 criado o primeiro parque no Brasil, o Parque Estadual da Cidade de São Paulo
1920 o pau-brasil é considerado extinto
1934 o professor Felix Rawitscher, alemão, inicia os primeiros trabalhos de pesquisa e ensino de Ecologia no Brasil. No mesmo ano, cria-se a primeira unidade de conservação brasileira, o Parque Nacional do Itatiaia (RJ)
1939 cria-se o Parque Nacional do Iguaçu, em decreto 1035/39
1947 funda-se, na Suíça, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUNC)
1952 acidente de poluição do ar mata mais de 1600 pessoas em Londres
1956 parlamento inglês aprova a Lei do Ar Puro devido ao ar densamente poluído (smog)
1958 cria-se a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN)
1960 surge, nos EUA, a corrente conhecida como "ambientalismo"
1961 Presidente Jânio Quadros aprova o projeto que declara o pau-brasil "árvore símbolo nacional" e o ipê "flor símbolo nacional"
1965 Albert Schweitzer recebe o prêmio Nobel da Paz por tornar popular o conceito de "ética ambiental"
em diante inicia-se, no Brasil, o Projeto "Grande Carajás", com a construção de 900 km de ferrovia, de Pará ao Maranhão; publica-se, nos EUA, um manual para professores e alunos, "A place to live" ("Um lugar para viver"), que se tornou um clássico em educação ambiental; a expressão "environmental education" (educação ambiental) começa a tornar-se popular em todas as instâncias acadêmicas

Esta "revisão histórica" é bastante acanhada, porém fornece-nos informações interessantes acerca de como o meio ambiente vem sendo visto pelo homem, nas diferentes épocas cronológicas pós-achamento do Brasil [1]. A data inicial de 1500 é meramente arbitrária. Se partirmos do princípio de que, desde o primeiro momento em que os seres humanos começaram a interagir com o mundo que o cercava e a ensinarem seus filhos a fazerem o mesmo, estava havendo educação (e, por conseguinte, também educação ambiental), criar datas precisas na "linha do tempo" torna-se algo irreal. Os povos antigos, por exemplo - e, talvez, os povos nativos de forma mais clara - desenvolveram formas sofisticadas de perceber os sistemas naturais que estavam ao seu redor [2]. Havia um profundo respeito por tais sistemas, e esse conhecimento era transmitido para as gerações seguintes através da oralidade. A relação com o meio ambiente era, até certo ponto, uma relação visceral, de sobrevivência. Da terra e de seus seres o homem obtinha seu sustento. A natureza era algo que o sobrepujava, era algo externo a ele, era menos afetada por ele. Com o passar do tempo, porém, houve mudanças nas razões e nos modos de se transmitirem tais conceitos. A "mãe Terra" passou a ser vista como algo afetado - e, de maneira geral, de forma desastrosa - pela sociedade humana. A sociedade tornou-se a agressora (e vítima!) do ambiente. Desta nova relação desarmônica surgiu a necessidade de se proteger a natureza e tentar corrigir os erros que se cometeram a nível ecológico. Vejamos: mais de 1600 pessoas morreram em Londres em  1952 devido a um acidente envolvendo poluição atmosférica. Quatro anos mais tarde, o parlamento inglês sanciona a lei referente ao Ar Puro, justamente por causa do fenômeno do smog, conhecido em várias outras cidades do mundo.



1 - A tendência dos historiadores atuais é referir-se à chegada de Pedro Álvares Cabral como sendo o "achamento" do Brasil, e não seu descobrimento, uma vez que já havia outros povos em terras brasílicas muito antes dos portugueses firmarem sua colonização (i.e., as etnias autóctones indígenas).

2 - Cf. Secretaria do Meio Ambiente, Conceitos para se fazer educação ambiental. São Paulo, Editora da Secretaria de Meio Ambiente, 1997 (Série Educação Ambiental), p. 19.

Atalhos - Cefle

Comente essa matéria no Forum do CEFLE

Volta ao topo da página

Todo conteúdo desta revista é parte integrante do material de divulgação do CEFLE ©
Reprodução total ou parcial somente sob consulta
Agenda Cultural
Workshop
Musical com
Aurio Corrá
Dia 09/04 Sábado, das 18h30 às 20h30